Porque acho a escrita lispectoriana imatura
Comentei assim sobre autores que todos reverenciam, mas eu...: ACHO a obra de Clarice Lispector imatura; recende à juventude e seus traumas.
Pronto! Preparei-me para o apedrejamento verbal e os costumeiros "você não entendeu", "tem gente que não tem bom gosto" etc.
Mas, para minha grata surpresa, uma moça, muito polidamente, detectou surpresa e pediu para eu explicar meu ponto de vista - e que não era cancelamento, ela apenas queria entender melhor meu posicionamento.
Ela foi tão fofa e educada que não me furtei a dar-lhe esta vasta justificativa:
As epifanias lispectorianas remetem-se, de ordinário, às descobertas adolescentes e jovens; são questões dessa faixa etária, as quais - não nego! - permanecem, muitas delas, sem solução por toda a vida adulta.
Tomemos como exemplo o conto "Felicidade Clandestina": a autora sofre uma revelação de que sua felicidade seria, em sua vida, clandestina - mas não busca solução, como faz um adulto, para isso - apenas, como a maioria dos jovens, resignou-se a essa descoberta.
Entenda: quando digo "jovem" estou me referindo antes à imaturidade do que à faixa etária (já conheci meninas de 13 anos maduras); e uma característica dessa dita juventude é que se estaca, fica paralisado, estático ante uma descoberta, uma epifania - e isso é normal, posto que há um processo de absorção e racionalização do apreendido. Já o pretenso adulto, a alma madura, quando detecta algo que não se encaixa direito, parte em busca de solucionar isso.
Em suma: ante uma epifania, a alma imatura estaca e reflete, enquanto a madura busca resolução mais adequada.
Deu para entender meu ponto de vista?
Reitero que isso é minha perspectiva, não obstante, tiro meu chapéu à escrita dela. Desafortunadamente, li-a tardiamente, já amadurecida, e as situações que ela explana eu me sorrio com um pensamento: 'É, FOI (quase) desse jeitinho.'; é como se eu olhasse para a estrada já percorrida.
É isso.
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