"MULHER PRECISA TANTO DE UM HOMEM QUANTO UM PEIXE DE UMA BICICLETA"

"MULHER PRECISA TANTO DE UM HOMEM QUANTO UM PEIXE DE UMA BICICLETA"


Eu não me lembro a autora dessa frase icônica de meados do século XX, que li no livro "O amor de mau humor", em que seu... compilador e organizador ("autor" seria demais; afinal, o que ele fez foi um excelente trabalho de coleta e organização!), Ruy Castro, recolheu várias frases irônicas sobre o amor. Imagino que essa frase deve ter causado furor, expressa há mais de 50 anos, no início tímido do movimento feminista. Furor e incompreensão, diga-se de passagem. Àquela época! quem ousaria ser tão ousada? Como assim, uma mulher não precisa de um homem? Quem irá protegê-la, tadinha?
Questionamentos que foram devidamente enterrados (espero!) e já estou pensando em enviar uma mensagem de condolências pela missa de um ano de morte.
Porque essa ideia é a que voga, hoje - mulher vai querer homem dentro da casa DELA para quê, mesmo?!!
Porque homem, habitualmente (por favor, macharal, nada de focar no próprio umbigo com "Ain, EU não sou assim...!" 🙄 - estou generalizando, então senta e prestatenção, tá, lindinho!!?), quando se mete na casa de uma mulher, o bonito:
- quer casa, comida na mão, roupa lavada, passada e guardada - sem levantar um dedo;
- quando muito, "ajuda" com dinheiro que mal dá para cobrir os gastos extras nas despesas da casa causadas pelo próprio luzente (a energia aumenta um absurdo!) - e, por "ajudar", ainda tem os que se metem a ter fumos de dono do castelo; e 
- acha que sexo é um presente dos céus que só ele, o deus fálico, pode ofertar às pobres mortais.
🤯
Depois tem 'caboquinho' que não sabe a sorte de ter escapado de parar dentro de uma mala.
Sorte de que mulheres assassinas são casos à parte, quase exceções.
Juro que estou quase fazendo uma nova religião, a Divina Xereca. Porque, mônamú, o que tem de idealização fálica não está de brincadeira, vade retro com tanto endeusamento! Vut!
E é por esses aspectos práticos e cotidianos que muitas mulheres estão fugindo de assumir relacionamento - porque é caçar sobrecarga de trabalho e preocupação, sem necessidade.
Afinal, a vida já não é fácil.
O que uma mulher busca é um parceiro, um companheiro de jornada que DIVIDA problemas e some soluções - e não o contrário. E, ironicamente, até as mulheres iludidas que se dizem antifeministas 😆 também cobiçam esse tipo de homem - quando essa iludida diz que quer "um homem de verdade", na real, ela mira na propaganda enganosa de "homem provedor", publicizado na metade do século passado. Gente... METADE DO SÉCULO PASSADO! Faz ideia de que isso é tempo pra chuchu? Tempo demais para se buscar um modelo que, mesmo à época, era falível, miseravelmente falível. Mas, em suma, as iludidas - as que usam o direito de fala da mulher garantido pelo feminismo - "antifeministas" e as feministas e as demais mulheres héteros ou afim, querem um parceiro para caminhar juntos rumo ao futuro. Unidos venceremos - é a ideia básica.
Por outro lado, os homens (aviso de generalização, homens!, não se mordam°) parecem ainda estar na segunda infância, querendo que a mulher seja a extensão da mãe deles - com o bônus do sexo. 
E o mais bizarro é que esse tipo de homem ainda não acordou para a realidade da vida, para as necessidades que o dia a dia exige de todos. Um comodismo que beira ou à burrice ou ao mau-caratismo em não se pôr na pele do Outro, em não olhar o Outro, ficando espapaçado no sofá da sala, dono do controle remoto, no mood "Venha a nós o Vosso reino" - e fim.
Se essa parcela masculina não despertar do sono que faria inveja ao da Bela Adormecida (que já acordou faz é tempo, benhê) e não correr atrás do prejuízo na própria (des)inteligência afetiva, acabarão marcados como agressores & afins. E, oxalá sejam!, devidamente culpabilizados.
Enquanto isso, há uma parcela - ainda pequena, é verdade! (respira, homem contemporâneo atualizado), de homens maravilhosos, parceiros, INTELIGENTES afetivos que sabem partilhar, que também cuidam, que iluminam uma "estrada deserta, horrenda e nua" e que ficam ao teu lado.
Esses homens não nos são necessários; são fatores agregadores que tornam a jornada da vida mais suave.
Companheirismo e parceria.
Mulheres continuamos não precisando de um homem tanto quanto um peixe não precisa de uma bicicleta, mas justamente essa não necessidade é que torna essa união mais rica, mais preciosa, mais valorosa.
Andar só é bom, mas andar em boa companhia é muito melhor.
Isso é amar.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

"Como água para chocolate" & Vida real

[IA] Música Erudita

[IA] Buda faz aniversário