CAZUZA
CAZUZA
Li que "Cazuza" era apelido que dava, nos muitos antigamentes, aos pirralhos que não eram batizados e acontecia de, eventualmente, demorar tanto para deixar de ser pagão, que o apelido grudava.
Essa informação, lida aleatoriamente, remeteu-me ao Cazuza do século XIX, o escritor e político cearense e FILHO DE PADRE, José Martiniano de Alencar - vulgo José de Alencar.
Ter vivido entre as saias da mãe e das tias provavelmente criou um sentimento protofeminista no nosso Cazuza, isso eu defendia a partir de seus romances.
Mas esse apelido, Cazuza, e - eventualmente - não ter sido batizado, mesmo sendo filho de padre... faz-me pensar o quanto esse apelido não há de ter lhe pesado na vida, ainda mais em uma sociedade essencialmente católica como éramos no século XIX.
É óbvio que estou aqui tentando ligar pontos de diagramas aparentemente diferentes, por favor, entendam este texto como um exercício de imaginação, apenas. Tergiversando só.
Mas pensar nesse contexto lança uma luz diferenciada aos padres que transitam em suas obras.
Há dois padres, aliás!, que me causaram estranheza, quando li a coleção de romances alencarinos aos 13 anos (e reli várias vezes depois): um em "O Guarani", outro na trilogia "As minas de prata" - ambos eram abjuradores, hereges (mas nenhum deles resolveu traduzir parte da Bíblia nem fundou outra seita) e personificam o mal dicotômico, característica do romantismo, em si.
Seria uma vingança de Cazuza ter posicionado padres como antagonistas?
Cazuza escrevia bem (não levemos em conta o final patético de "O Guarani" em que, obviamente, ele fez de mau grado, atendendo às exigências da mãe e das tias de mudar o final trágico) e sabia insinuar situações e questões sociopolíticas nas suas páginas (Maria/Lucíola "atender" um político e receber "vista grossa" da sua "profissão", por exemplo), portanto, conhecendo um bocadinho sua verve literária, não consigo abstrair que não tenha sido intencional que seus - que eu considero - piores antagonistas tenham sido, justamente, padres.
Cazuza, suposição minha de quem sabe que criança pode ser cruel, deve ter sofrido apupos por não ser batizado e, quiçá!, não foi logo batizado justamente por sua ascedência paterna, o que há de ter provocado certo embate no espírito de nosso Cazuza; de um lado, o amor filial ao pai e, de outro, alvo de preconceito por ser filho de padre.
Cazuza cresceu (pouco em tamanho) um "homenzinho teimoso" - definição dada por Dom Pedro II, ao saber da morte de seu opositor ferrenhamente republicano.
E quase anticlerical. E - sempre supondo - esse "anti" talvez tenha sido mais por sua mãe e tias, fervorosas católicas (tão católicas que a mãe dele sucumbiu ao charme de um padre).
Embora os bons padres existam em seus livros, eles passam quase despercebidos, e no entanto, não há - reitero - antagonistas mais vis e asquerosos do que os dois padres - em "O Guarani" e "As Minas de Prata".
Cazuza teria se vingado?
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