VIZINHA DE MÁ FAMA

VIZINHA DE MÁ FAMA

Tive uma vizinha, que morava com os dois filhos pequenos e um cachorrinho, mas ninguém falava com ela porque achavam que ela era gp.
Uma vez eu a vi chegar em casa do mercado, carregando sacolas, e quando viu os filhos e o cachorrinho esperando por ela no portão, ela abriu um sorriso derretido e disse:
- Mas que coisa mais linda vocês me esperando!
Foi o que bastou: crianças com sorrisos na boca e nos olhos e cachorrinho pulando de alegria e pensei: Que casa feliz!!!
Ela era meio encabulada; uma vez disse-lhe "Bom dia" ao passar na frente da casa dela e ela ficou, a princípio, surpresa, mas em seguida, baixou os olhos, vexada, enquanto respondia o cumprimento.
Achei tão parecido com cachorro de rua sempre escorraçado. Senti dó.
Como eu trabalhava fora e não tinha cachorro, à época, saía o dia todo e quando voltava, me trancava em casa e nem sabia nome de vizinho, com raras exceções.
E foi uma dessas raras vizinhas conhecidas que me contou, meses depois, que a moça havia vendido a casinha dela, acrescentando:
- Graças a Deus! Gente desse tipo é ruim para a vizinhança.
Calei-me para evitar discórdia. Mas, sabe?
Aquela moça nunca me incomodou - e olha que tive todo tipo de vizinho, que:
- quebrou parte de meu muro;
- jogou a água da vala para a frente da minha casa;
- roubou meu lixo (essa eu fiquei com medo);
- colocou o próprio lixo no meu portão;
- gritou barbaridades para mim, bêbado (para essoutro, chamei a polícia);
- quebrou uma parte de meu portão etc.
Tudinho cidadão de bem.
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