Travei sem Macumba

TRAVEI SEM MACUMBA


Macumba foi usado, sempre pejorativamente, para designar as religiões de matriz africana que, segundo meu parco quase inexistente conhecimento, são:
 • candomblé; 
• umbanda; e 
• quimbanda.
Até onde (nada) sei, esta última - quimbanda - é a que faz trabalhos para o mal alheio (decerto hei de estar equivocada, portanto, se alguém quiser esclarecer, será muito bem-vindo), enquanto que uma das outras duas tem sincretismo com o catolicismo e a que sobra seria meio-termo; mais raiz África, mas sem fazer os trabalhos (aquela instalação efêmera de galinha, farofa, flores e perfume nas encruzilhadas - e que metiam medo nas gentes crianças todas há algumas décadas).
- Chuta que é macumba! - era a frase comumente usada que demonstrava, ao mesmo tempo, medo e intolerância religiosa.
Sendo que macumba é um instrumento musical de percurssão. Gilberto Gil até fez uma música, quase um mantra animado, "bate macumba".
Pois. Na rede social threads, alguém comentou que estaria bloqueando uns desqueridos com comentários agressivos e eu, no afã de mostrar-lhe apoio para evitar o que não agrega, já estava respondendo um automático 
- Chuta que é macumba!
Não. Pera. - parei os dedinhos no ar -  "Macumba", não. Consigo fazer melhor do que repetir os erros de um passado histórico, eu sei que consigo.
- Chuta que é mandinga!
Pera - parte dois. "Mandinga" também não, né? Faça-me o favor, senhora... Vamos lá, faça melhor. Você consegue!
- Chuta que... hã... o que poderia ser?... 
Ah!
- CHUTA QUE É VENENO.
Tsc, tsc... meti essa porque travei feio.
Quantas outras expressões preconceituosas emitimos sem nem pensar?
E, convenhamos, "chuta que é veneno" ficou esquisito pra-karay.
Ai, gente, me ajudem aí, vá lá! Como que eu substituo para ficar sonora e politicamente dukaramba? 
Desde já, agradeço.
Grata gratissima.

Tetê Macambira

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