#leiateatro
"Vice cotis acutum / Reddere quae ferram valet/ exsors ipsa secandi" (Horace, De Art Poet)
"Farei o trabalho da pedra de amolar, que não tem fio para cortar, mas é capaz de dar gume ao ferro." (Horácio, Arte Poética)
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Essa provocação é a epígrafe com que Denis Diderot inicia seu ensaio "Discurso sobre a poesia dramática", texto em que ele mescla críticas literária e teatral.
Um dos questionamentos, que permanece atual, é o de que "Se existe um gênero [dramático], é difícil introduzir um novo", haja vista que "O hábito nos torna cativos." Ou seja: qualquer novidade teatral pode assustar o público, causar-lhe estranheza.
Por exemplo, em Belém havia o hábito de peças teatrais de conteúdo sociopolítico, dificilmente uma comédia escrachada era encenada.
Apresentar uma ideia oposta ao público, habituado à outra proposta, pode gerar desconforto - e rejeição.
Não posso deixar de pensar que muito desse vício por gênero dramático seja, quiçá em parte, advindo do não consumo da literatura teatral: Ler peças teatrais.
O que é de espantar, haja vista que se trata, basicamente, de uma estrutura dialógica, formada por diálogos, em que cada fala vem antecedida pelo nome da sua respectiva personagem; ninguém se perde na leitura!
E como são falas, trechos de uma conversa, o texto torna-se fluido, orgânico e nada refratário à compreensão.
Ler, por exemplo, Dias Gomes - dramaturgo e roteirista de telenovelas da Globo - seria um bom começo.
Tetê Macambira
leiateatro
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