Cearense, o judeu brasileiro
Aliás! Tenho quase que uma anedota sobre o caráter comerciante do judeu brasileiro.
Voltei a casa, em Belém do Pará, para passar as férias, em 2012. Tardinha, antes da chuvinha, cismei que queria voltar a ter o prazer de ver chuva comendo pipoca - e, por isso, tratei de sair para comprar o milho de pipoca em alguma mercearia por perto. E eu me esquecera totalmente de que comércio de bairro fecha depois do almoço e reabre só depois da chuvinha. Voltava cabisbaixa para casa, quando cruzei com outra local e pedi-lhe as horas.
- Maninha, que horas, por favor?
- Meia hora.
- Ihh.. mercearia abre só daqui a hora e meia.
- NÃO! - ela sorriu, triunfante - tem o Ceará!
- Ceará?!?...
- É! A mercearia do Ceará fica aberta o dia todo. Não sabes onde é, pequena?
Ela me ensinou e fui lá me resolver. No Ceará, cujo dono era um senhor que ganhou esse apelido por motivos óbvios.
Mas pera, que ainda tem um epílogo.
Últimos parágrafos, prometo.
No ano seguinte, de novo em casa, fui na mercearia do Ceará e avisei mãe, que estranhou:
- Por que no Ceará, m'nina?, aqui quase vizinho tem mercearia!
- Mas só abre depois da chuvinha, Mãe.
- Nada! Agora tudinho abre. Vai na mercearia vizinha, que sol está daquele jeito.
Era verdade.
Pelo visto, a concorrência do Ceará contaminou o comércio local e destruiu uma tradição de séculos em menos de um ano.
Judeu brasileiro em terras alheias dando o mote de como se comercializa.
Tetê Macambira
(Originalmente, publicado como uma resposta ao thread do escritor Mailson - obviamente, sobre a ascedência judaica nos sertões cearenses, posts republicados na minha própria conta do threads e, agora, registrado aqui)
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